quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma nova poesia, para tentar dar uma guinada no meu ritmo literário...


SOB O ALTAR DA CONSCIÊNCIA

Vejo, com um descrente olhar perdido no turbilhão dos passos dados,
O traçado imposto por tantos descontentamentos dissipar-se ao remoinho,
Tortuoso palmilhar em que se acumulam as vidas e dores no cadinho,
No qual a ígnea do tempo desmancha da mente os ímpetos desvairados...

Nos rastros pelejam ainda os fantasmas sediciosos que cortejei outrora,
Vejo-lhes o veneno espúrio cuja peçonha ainda custa a depurar na clínica,
Dest’alma imortal que Deus me deu e na qual fiz moldar em frieza cínica,
Mil corpos dissolutos dispostos sucessivamente aos vícios em cada aurora...

A dureza desse vislumbre afrouxa meus joelhos, dada sua clareza cegante...
A trilha ainda há de ser revolta nos infindáveis ciclos que virão adiante...
Há que se filtrar o fel, retirar a culpa e nortear o instinto errante...

Em quantos pântanos chafurdarei até merecer adentrar ao banquete de alegrias lautas?
De quantas vidas disporei para escapar do sorvedouro das emoções incautas?
Só o saberá Aquele cuja pena sempre renova a esperança em novas pautas...

Murilo Luiz Cardoso (12/09/2011)


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