SOB O ALTAR DA CONSCIÊNCIA
Vejo, com um descrente olhar perdido no turbilhão dos passos dados,
O traçado imposto por tantos descontentamentos dissipar-se ao remoinho,
Tortuoso palmilhar em que se acumulam as vidas e dores no cadinho,
No qual a ígnea do tempo desmancha da mente os ímpetos desvairados...
Nos rastros pelejam ainda os fantasmas sediciosos que cortejei outrora,
Vejo-lhes o veneno espúrio cuja peçonha ainda custa a depurar na clínica,
Dest’alma imortal que Deus me deu e na qual fiz moldar em frieza cínica,
Mil corpos dissolutos dispostos sucessivamente aos vícios em cada aurora...
A dureza desse vislumbre afrouxa meus joelhos, dada sua clareza cegante...
A trilha ainda há de ser revolta nos infindáveis ciclos que virão adiante...
Há que se filtrar o fel, retirar a culpa e nortear o instinto errante...
Em quantos pântanos chafurdarei até merecer adentrar ao banquete de alegrias lautas?
De quantas vidas disporei para escapar do sorvedouro das emoções incautas?
Só o saberá Aquele cuja pena sempre renova a esperança em novas pautas...
Murilo Luiz Cardoso (12/09/2011)

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